Bolsonaro ensaia discurso de derrota do voto impresso na Câmara

Foto: Reprodução

 

 

O presidente Jair Bolsonaro (sem partido) acusou nesta segunda-feira (9) o ministro Luís Roberto Barroso, do STF (Supremo Tribunal Federal), de “apavorar” parlamentares contra o voto impresso e disse que a PEC (Proposta de Emenda à Constituição) sobre a matéria será derrotada no plenário da Câmara.

A PEC do voto impresso, uma bandeira bolsonarista, foi derrotada na semana passada numa comissão especial da Câmara. Mas o presidente da Casa, deputado Arthur Lira (PP-AL), deve realizar uma nova análise do tema em plenário, em votação prevista para os próximos dias.

“Tivemos uma negociação antes, um acordo, vai ser derrotada a proposta. Porque o ministro Barroso apavorou alguns parlamentares, e tem parlamentar que deve alguma coisa na Justiça, deve no Supremo. Então o Barroso apavorou”, disse o presidente, em entrevista a uma rádio bolsonarista.

Reportagem da Folha desta segunda-feira mostrou que líderes do Congresso, integrantes do governo e ministros do STF e do TSE (Tribunal Superior Eleitoral) articulam estratégias para reduzir a tensão entre os Poderes após a análise do voto impresso na Câmara.

O presidente da Casa, deputado Arthur Lira (PP-AL), deve abordar o tema em almoço marcado com líderes da base governista nesta segunda-feira (9). A expectativa da cúpula do Congresso é que o plenário derrube o texto.

Com isso, a ideia em costura é criar um ambiente que possibilite a Bolsonaro conter as críticas ao atual sistema eleitoral (as urnas eletrônicas), para permitir uma trégua na relação do Planalto com o Supremo. Reconhecem, porém, a dificuldade de controlar o presidente.

Nesta segunda-feira, à mesma rádio Bolsonaro voltou a chamar Barroso, que é presidente do TSE, de “mentiroso”. Bolsonaro também alimentou uma vez mais teorias da conspiração contestadas pelo TSE ou sem comprovação para alegar que, na verdade, ele teria recebido mais votos do que os computados no pleito de 2018.

O presidente venceu o segundo turno das eleições de 2018, numa disputa com Fernando Haddad (PT). O resultado final foi 53,13% para o atual presidente contra 44,87% para o petista.

O presidente também disse, mais uma vez, que em um inquérito da PF (Polícia Federal) o próprio TSE teria reconhecido que um racker invadiu o sistema da corte em 2018.

O TSE rebateu Bolsonaro na semana passada. Disse que o episódio foi divulgado na época em vários veículos de comunicação e não representou qualquer risco à integridade das eleições.

Com informações de Ricardo Della Coletta/Folhapress

 

 

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