O Copom define nesta quarta-feira (5) o novo patamar da Selic, atualmente em 14,25%. A aposta majoritária no mercado de Opções da B3, com 89,5% das posições, aponta para corte de 0,25 ponto, levando os juros a 14% — o piso do ano segundo o Boletim Focus.
A favor da redução, pesa o diagnóstico de que a política monetária segue restritiva. Do outro lado, a ala da manutenção cita a guerra no Oriente Médio, a desancoragem das expectativas e a piora fiscal. No curto prazo, a inflação dá trégua: o IPCA-15 de julho veio abaixo do esperado, e os núcleos sensíveis aos juros recuaram ao menor nível em 12 meses.
Mas o horizonte preocupa. A 4intelligence projeta que o El Niño pressionará os alimentos a partir de setembro, enquanto o mercado de trabalho aquecido blinda a inflação de serviços. O BTG estima a Dívida Bruta em 81,6% do PIB em 2026. No front externo, a pausa do Fed acendeu novo alerta.
Com margens cada vez mais estreitas, ganha força a tese de que o ciclo pode estar se esgotando. José Alfaix, da Rio Bravo, diz que a desancoragem das expectativas “exige que este seja o último corte”. Na ponta oposta, Arnaldo Lima, da Polo Capital, projeta a Selic em 13,75%, argumentando que o arrefecimento das pressões salariais descomprimirá a inflação de serviços.
As grandes casas refletem a divisão. A Warren Rena vê a manutenção em 14,25% como “decisão ideal”, mas admite que o corte é mais provável. O Morgan Stanley endossa a redução para 14% em agosto, mas projeta pausa em setembro e novos cortes só em janeiro de 2027. JP Morgan e Itaú preveem duas reduções consecutivas, com a Selic em 13,75% no fim do ano, e esperam que o Copom adote tom de “serenidade e cautela”, sem sinalizar os próximos passos.
Para Edgar Araújo, CEO da Azumi, a continuidade dos cortes dependerá de inflação corrente, expectativas, câmbio e cenário fiscal. André Matos, CEO da MA7 Capital, resume o impasse: “O que está em jogo agora é o tamanho do espaço que o Banco Central ainda tem para cortar juros, e esse espaço ficou mais estreito.”
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