Guedes diz que alta dos juros não impedirá crescimento em 2022

O ministro da economia, Paulo Guedes,fala à imprensa no auditório do ministério da economia em Brasília

O ministro da Economia, Paulo Guedes, disse neste domingo (14) em Dubai que o ciclo de altas na taxa de juros pelo Banco Central não vai impedir o Brasil de crescer no ano que vem.

“O crescimento da economia brasileira [para 2022] já está contratado. Os juros vão subir um pouco para combater a inflação, mas o crescimento está contratado. Não apostem contra a economia brasileira que vai dar errado”, afirmou Guedes, durante conversa com jornalistas na abertura da Dubai Air Show, feira do setor aéreo realizada no emirado do Golfo Pérsico.

Segundo Guedes, é quase impossível o país não crescer no ano que vem, contrariando previsões da maioria dos economistas de que o PIB ficará estagnado, ou até se contrairá em 2022.

“O Brasil surpreendeu, tem surpreendido. Caímos menos, voltamos mais rápido, criamos mais emprego e estamos crescendo mais do que as economias avançadas. Mais uma vez as previsões vão ser equivocadas”, declarou.

A alta da inflação, que já se aproxima de dois dígitos, levou o BC a iniciar um acelerado processo de elevação da taxa de juros, que chegou a 7,75%, com previsões de que atinja mais de 9% em breve.

Já o crescimento tem sido revisado para baixo toda semana pelo boletim Focus. A última estimativa é de alta de 1% para 2022, mas algumas consultorias e bancos já preveem recessão.

Segundo Guedes, o crescimento do Brasil já está garantido por uma previsão de investimentos que beira os R$ 700 bilhões nos próximos meses. “O Brasil já tem contratados R$ 544 bilhões de investimentos. E com o 5G, são mais R$ 150 bilhões. Acho muito difícil o Brasil não crescer ano que vem”, declarou.

Ele disse que um dos motivos da sua viagem a Dubai foi buscar “petrodólares”, que ajudarão a financiar investimentos no Brasil. Segundo ele, esse ciclo é diferente do ocorrido nos anos 1970, quando dinheiro dos países ricos em petróleo financiou grandes projetos de infraestrutura brasileira com base em endividamento público.

Guedes voltou a defender a aprovação da PEC dos Precatórios, afirmando que ela é necessária para ajudar no cumprimento do teto de gastos.

“O Poder Legislativo nos deu um teto para cumprir, e o Judiciário nos deu uma ordem de gastar R$ 90 bilhões que não cabiam no Orçamento. A ideia da emenda dos precatórios é que precisamos ordenar o pagamento. Agora há uma previsibilidade de gastos”.

Segundo ele, a PEC “foi um esforço para cumprir um teto, não foi pra romper o teto”. Ele afirmou que uma alternativa para quem tem precatórios para receber é usá-los como moeda para participar de projetos de privatização.

Com informações de Fábio Zanini, Folhapress

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