Ex-ministro e aliado de Temer diz que pode votar em Lula em 2022

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Um dos principais ministros do governo de Michel Temer afirmou que deve votar em Lula no segundo turno da eleição presidencial, caso o candidato de terceira via que o MDB apoiar não ultrapasse a primeira rodada.

“Vamos tentar uma terceira via. Se não estivermos no segundo turno, apoiaremos o menos pior. Que pode ser Lula…”, escreveu Carlos Marun, ex-ministro-chefe da Secretaria de Governo de Temer, em um grupo de discussões políticas de WhatsApp. O coletivo tem entre seus integrantes personalidades como o ex-presidente da Câmara Rodrigo Maia.

Marun participava de um acalorado debate sobre a possibilidade de Lula ter Geraldo Alckmin como candidato a vice. Muitos no grupo diziam estranhar a eventual união dos dois ex-adversários.

“A movimentação de Lula buscando Alckmin é algo politicamente inteligente. Como é a antítese da inteligência pregar que quem apoiou Bolsonaro não pode agora ter outra posição. É uma questão matemática. Se todos repetirem o voto do 2º turno [de 2018], Bolsonaro vencerá novamente”, escreveu Marun.

Ele admitiu que votou em Bolsonaro há três anos. “Muita gente entendeu que naquele momento Bolsonaro era menos pior que o PT. Por isto o centro votou [e] deu a vitória a ele”, disse. “Entre estes, eu”, seguiu.

“Falo por mim. Eu sabia dos riscos de ser um Governo chulo… me surpreendeu com alguns excessos. Eu confesso que, apesar de conhecer os arroubos de Bolsonaro, não imaginava que fôssemos chegar tão perto de uma ruptura institucional”, disse ainda Marun.

O deputado federal Baleia Rossi (MDB-SP), que preside o MDB e é também muito ligado a Temer, chegou a ir ao jantar do grupo Prerrogativas que homenageou Lula e teve Alckmin como convidado especial na semana passada.

Michel Temer afirmou à coluna que as declarações e movimentações de seus aliados são “coisas pontuais”. “Não significa que vão apoiar Lula”, diz o ex-presidente.

Questionado se poderia votar no petista em um eventual segundo turno contra Bolsonaro, Temer afirmou: “Tem muita coisa ainda para acontecer. Vou esperar os fatos”. E finalizou: “Me pergunte a mesma coisa em junho do ano que vem”.

Com informações de Mônica Bergamo/Folhapress

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