Equipe econômica só vê espaço para auxílio de R$ 600 com reforma tributária

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Embora a manutenção do Auxílio Brasil de R$ 600 a partir de 2023 conste como compromisso prioritário no programa de governo de Jair Bolsonaro (PL), a equipe econômica só vê espaço para que isso ocorra com uma reforma tributária.

Na avaliação de integrantes da pasta chefiada pelo ministro Paulo Guedes, a única alternativa seria aprovar a mexida nos impostos após as eleições de outubro. Os recursos para o auxílio viriam da tributação de lucros e dividendos.

A aprovação de medidas dessa magnitude entre as eleições e o início de um novo mandato não é comum, devido à desmobilização dos parlamentares que não se reelegem. Além disso, a reforma tributária encontrou diversos obstáculos ao longo de todo o governo Bolsonaro.

Ainda assim, integrantes da equipe econômica, de forma otimista, avaliam que a pressão pela manutenção do benefício turbinado pode ajudar a destravar a tramitação da proposta no Congresso Nacional.

O mesmo vale para o reajuste de servidores públicos, tema que ficou pendente em 2022. Bolsonaro chegou a acenar com um reajuste diferenciado para policiais, mas acabou adiando diante da falta de orçamento.

O programa protocolado pelo presidente no TSE (Tribunal Superior Eleitoral) aposta na redução de gastos decorrentes da pandemia, no aumento da produtividade e na maior oferta de serviços digitais para a população como possíveis fontes de dinheiro para a reposição salarial.

Na avaliação da equipe econômica, tudo isso seria insuficiente. Não haveria espaço nem para reajustes diferenciados para determinadas categorias, sob o risco de gerar pressão das demais carreiras pelos mesmos percentuais. A defesa continua sendo por um aumento linear, caso ocorra.

A confecção do programa de governo de Bolsonaro ficou a cargo do candidato a vice, o general Braga Netto. Embora haja divergências com o que prega o Ministério da Economia, interlocutores do militar garantem que o documento passou pelo crivo dos ministérios, de especialistas e de federações da indústria.

Não é a primeira vez que os posicionamentos de Guedes se chocam com a área política do governo. O conflito mais recente foi sobre a melhor solução para conter a alta dos combustíveis. Os ministros do centrão queriam um subsídio direto para frear a inflação, enquanto Guedes defendia aguardar os desdobramentos da guerra na Ucrânia. As informações são da coluna Painel, do jornal Folha de São Paulo.

Juliana Braga / Folha de São Paulo

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