Chapa Lula-Alckmin teve embrião em SP e Haddad e França como padrinhos

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A possível chapa unindo Lula (PT) e Geraldo Alckmin (ex-PSDB), que ganhou mais força com a recente e contundente defesa da aliança feita pelo petista, teve como embrião a disputa pelo Governo de São Paulo e, como padrinhos, o ex-prefeito Fernando Haddad (PT) e o ex-governador Márcio França (PSB).

A articulação, pensada inicialmente como uma união de forças entre petistas e tucanos dissidentes contra o governador João Doria (PSDB) e o bolsonarismo em São Paulo, cristalizou-se em uma proposta apresentada por Haddad a Lula, em agosto do ano passado.

A Folha ouviu nos últimos dias petistas e aliados de Alckmin para tentar traçar a gênese da aliança que pode unir em um mesmo palanque nacional grupos políticos que desde os anos 80 se rivalizam.

A articulação mais incisiva para a formação da dobradinha Lula-Alckmin nasceu em meio a dúvidas sobre sua viabilidade. Haddad levou, formalmente, a ideia para o ex-presidente em um telefonema no dia 26 de agosto, segundo relatos, quando Lula estava na Bahia concluindo uma caravana pelo Nordeste.

O ex-prefeito de São Paulo havia acabado de sair de uma reunião com Márcio França no escritório do publicitário Cláudio Simas, amigo do ex-governador.

Na conversa com Lula, Haddad teria dito ainda que França se comprometera a desistir de sua pré-candidatura ao governo de São Paulo, caso o acordo vingasse. Nessa composição, Alckmin seria vice de sua chapa para a Presidência, França concorreria ao Senado e Haddad, ao governo estadual. Lula apenas ouviu.

Cerca de dez dias antes, a hipótese já tinha chegado, despretensiosamente, aos ouvidos de Lula após ser ventilada por França durante almoço com João Paulo Rodrigues, coordenador nacional do MST (Movimento dos Sem-Terra), e o advogado Marco Aurélio Carvalho, coordenador do grupo Prerrogativas.

Segundo interlocutores, ao ouvir os entusiastas da aliança, Lula coçava o bigode e permitia o avanço das conversas.

De acordo com petistas, Haddad atribui a França a ideia original da chapa Lula-Alckmin. Na reunião de 26 de agosto, o ex-governador teria dito que a chapa resolveria os problemas do Brasil.

Com informações de Catia Seabra Ranier e Brago/Folhapress

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