Isolamento social é a melhor saída para preservar a economia

                                                                                    Foto: Shirley Stolze

 

O isolamento social é a melhor saída para preservar a economia da pandemia do novo coronavírus, é o que aponta estudo realizado por professores do Centro de Desenvolvimento e Planejamento Regional (Cedeplar), da Faculdade de Ciências Econômicas da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG). Segundo o levantamento, sem as medidas de restrição, a economia mineira poderia perder até quatro vezes mais com a crise.

De acordo com o pesquisador Edson Domingues, o objetivo do exame é chamar a atenção da sociedade para a importância dos cuidados com o distanciamento, pois, segundo ele, geralmente, a população tem o costume de associar a atual crise econômica à falta de circulação de pessoas nas ruas, “quando na verdade ela (a crise) é global, e está aí”. “O isolamento é a resposta do ponto de vista da saúde pública, que é bom para a economia, porque menos pessoas adoecem”.

Segundo Domingues, o estudo foi feito com base em três cenários: o primeiro com o modelo de isolamento feito como é hoje na maior parte do país; outro, flexibilizando as medidas e liberando parcialmente o comércio; e a última análise, sem que houvesse nenhuma restrição, e com a população circulando livremente.

No primeiro formato pesquisado, a perda econômica no estado chegaria a 1% do Produto Interno Bruto (PIB), ou 19 bilhões; no último, 4% de tudo o que é produzido em Minas, ou R$ 69 bi.

Ele explica que os cálculos obedeceram “modelos estatísticos de simulação utilizados em programas governamentais”, não sendo possível “extrapolar para outros estados”. E fez questão de explicar a lógica da coisa. “As medidas de isolamento são benéficas no longo prazo, pois evitam a perda da produtividade lá na frente. Você absorve um prejuízo agora no curto prazo, e recupera logo depois. Diferente de perder a vida”, diz.

Polarização CPF x CNPJ

Vice-presidente do Conselho Regional de Economia na Bahia (Corecon), Gustavo Pessoti destaca que no estado não há dados oficiais, mas que estimativa da Federação das Indústrias da Bahia (Fieb) dá conta da redução de 5% a 6,5% do PIB local em 2020. Contudo, Pessoti não vê outra saída a não ser o isolamento social. Segundo ele, a “polarização do salva o CPF, mata o CNPJ” é hoje o tema mais debatido entre os economistas.

“É muito importante dizer que a questão do isolamento social é uma medida de proteção social. Distanciamento social, aliás, seria o termo correto, o que significa dizer que as pessoas guardem entre si, respeitem um espaço mínimo, e, na medida do possível, saiam o menor número de vezes de casa. É claro que cada um tem uma opinião, e eu, como vice-presidente, fiz questão de debater muito isso no conselho. É difícil chegar a um consenso totalmente”.

“A minha posição é que a gente precisa tomar conta das pessoas, porque a melhor política econômica é fazer com que as pessoas não adoeçam, e exerçam a menor pressão possível no sistema de saúde. Até porque nós sabemos que 90% dos brasileiros não dispõem de plano de saúde. Sabemos também que as medidas econômicas, nos últimos tempos, tentaram diminuir a participação do estado na economia”, fala Pessoti.

Segundo o economista, isso significa dizer que foi imposto um “teto de gastos” nas contas públicas, passando a se buscar a “todo instante bater meta de superávit primário”. “Normalmente, falar em mais estado, significa ter uma identificação do atraso. Então, a gente claramente tem a percepção que este é um momento bastante delicado da economia. Ou seja, não existe nenhuma hipótese, nenhuma chance de você abrir a economia, e as coisas voltarem ao normal”, afirma.

“Até porque elas [as coisas] não voltarão [ao normal]. As pessoas em casa provocaram o que chamamos de um choque de demanda, que é manifestado, evidentemente, pela redução abrupta do consumo das famílias, que basicamente hoje se concentra em gêneros de primeira necessidade. As pessoas que estão saindo e comprando, não estão gastando dinheiro com eletrodoméstico, não vão entrar em financiamento de casa própria, veículo, não vão se endividar porque a única certeza que elas têm é que o que está ruim, atualmente, pode piorar”, conta. As informações são do jornal A Tarde.

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