O Banco Central decidiu ontem (4), por unanimidade, manter a taxa básica de juros em 13,75% ao ano, interrompendo uma sequência de cinco cortes consecutivos. A decisão foi tomada na primeira reunião do Comitê de Política Monetária após a reeleição do presidente Lula.
O BC justificou a manutenção pelo aumento das incertezas econômicas, pela alta das expectativas de inflação e pela desaceleração da atividade. O IPCA acumulado em 12 meses até setembro chegou a 4,58%, acima do teto da meta, de 4,5%. O comitê afirmou que manterá uma postura cautelosa, mas não antecipou os próximos passos da política monetária. Ainda haverá mais uma reunião do colegiado neste ano, no início de dezembro.
A autoridade monetária destacou um cenário externo mais adverso e elevou a projeção de inflação para 3,5% no horizonte relevante de 2028. Analistas apontam que a retirada de trechos sobre a magnitude de ajustes futuros sugere que os juros podem permanecer no patamar atual por um período prolongado.
Especialistas do mercado financeiro alertam que a reação dos ativos brasileiros dependerá agora da percepção de risco fiscal do novo governo. Sem sinais claros de previsibilidade nas contas públicas, a Bolsa de Valores pode seguir pressionada, enquanto os juros longos tendem a permanecer em níveis elevados para compensar a incerteza dos investidores.
No campo do câmbio, o diferencial de juros pode dar suporte ao real, mas o dólar deve continuar sensível às sinalizações sobre a trajetória da dívida pública. Fatores externos, como conflitos no Oriente Médio, e pressões internas, como possíveis reajustes de combustíveis, adicionam camadas de complexidade ao cenário econômico para os próximos meses.
Infomoney e UOL