A ata da última reunião do Comitê de Política Monetária (Copom), divulgada nesta terça-feira (23), indicou uma deterioração do cenário inflacionário no país e destacou o aumento das incertezas econômicas. O colegiado do Banco Central apontou uma desancoragem adicional das expectativas de inflação, especialmente para os próximos anos, além de impactos recentes provocados pelo conflito no Oriente Médio sobre os preços. A informação é do Estadão.
Apesar desse ambiente mais adverso, o Copom decidiu reduzir a taxa Selic em 0,25 ponto percentual, de 14,50% para 14,25% ao ano. Segundo o comitê, a decisão é compatível com a estratégia de levar a inflação de volta à meta, mas exige serenidade, firmeza e manutenção de uma política monetária restritiva por mais tempo. O órgão ressaltou que, diante das expectativas elevadas para a inflação, será necessário manter cautela nos próximos passos.
O documento também revela que os diretores discutiram diferentes trajetórias para os juros e concluíram que mudanças abruptas poderiam gerar volatilidade excessiva na economia. O Banco Central avalia que os riscos para a inflação continuam mais altos do que o normal, com maior probabilidade de pressões altistas. As projeções do Copom indicam inflação de 5,2% em 2026, acima do teto da meta, e de 3,7% em 2027, ainda superior ao centro da meta estabelecida para o período.