As ameaças de taxação de produtos brasileiros pelos Estados Unidos, que ocorrem na sequência de uma visita de Flávio Bolsonaro (PL-RJ) a Donald Trump, foram um presente eleitoral devolvido a Lula nesta semana.
A análise é de duas autoridades que integram o núcleo duro do governo e têm interlocução permanente com o presidente —e coincidem com a do Centrão e de aliados do próprio filho de Jair Bolsonaro.
Elas acreditam que as investidas norte-americanas devolvem a Lula as bandeiras da soberania, da defesa do Pix e da economia.
Os integrantes do governo se baseiam também em monitoramentos nas redes sociais que mostram que as ameaças são rechaçadas pela ampla maioria dos brasileiros.
Um levantamento da AtivaWeb DataLab mostrou, por exemplo, que, na sequência do anúncio do governo Trump, o termo “traição ao Brasil” explodiu nas redes, com 78% das interações manifestando sentimentos negativos em relação ao presidente norte-americano e à família Bolsonaro.
“Mais uma vez os idiotas colocaram nas mãos de Lula um presente do ponto de vista eleitoral”, diz um dos integrantes do governo.
A outra autoridade, da área econômica, afirma que os EUA tomariam as medidas em relação à investigação comercial contra o Brasil de qualquer jeito, com ou sem o apoio de Flávio Bolsonaro. Mas quiseram dar uma carona ao filho de Jair Bolsonaro, o que acabou ajudando o governo, que estaria como “pinto no lixo” _sempre do ponto de vista eleitoral.
De acordo com a mesma autoridade, apesar das dificuldades que cria, uma taxação de 25% sobre alguns produtos causa danos, mas não modifica a trajetória econômica brasileira no curto prazo, que é de controle da inflação e pleno emprego, o que tem ajudado a manter a aprovação de Lula em níveis competitivos.
Folhapress