Jerônimo adia novamente reforma administrativa e ganha tempo para destravar impasses na base

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Quando o governador Jerônimo Rodrigues (PT) anunciou que promoveria a reforma administrativa ainda em dezembro de 2025, antecipando a saída de secretários, dirigentes e assessores que disputarão as eleições de outubro, foi alertado por aliados de que a decisão poderia criar problemas desnecessários. O prazo legal para desincompatibilização, definido pela Justiça Eleitoral, só se encerra no início de abril, e antecipar o processo significaria abrir conflitos antes da hora.

Mesmo diante do acúmulo de impasses políticos, envolvendo pressão de partidos por mais espaço no governo, disputas internas e indefinições sobre a chapa majoritária, Jerônimo chegou a sinalizar que faria a reforma no fim de janeiro. Isso também não ocorreu. Na semana passada, o governador avisou a correligionários do PT e a aliados de outras legendas que vai respeitar o calendário legal, deixando as mudanças para março ou abril, numa tentativa de ganhar tempo para reorganizar a base e acomodar interesses conflitantes.

Quem deve sair?

Ao menos oito secretários estaduais devem deixar os cargos para disputar as eleições de outubro, a maioria filiada ao PT. Estão na lista o chefe da Casa Civil, Afonso Florence (PT); o secretário de Desenvolvimento Rural, Osni Cardoso (PT); a secretária da Educação, Rowenna Brito (PT); a titular da Secretaria de Políticas para as Mulheres, Neusa Cadore (PT); a secretária de Assistência e Desenvolvimento Social, Fabya Reis (PT); a secretária de Desenvolvimento Urbano, Jusmari Oliveira (PSD); o secretário de Desenvolvimento Econômico, Ângelo Almeida (PSB); e o secretário de Agricultura, Pablo Barrozo (Avante).

Desses, apenas Afonso Florence tentará a reeleição à Câmara dos Deputados. Os demais disputarão vagas na Assembleia Legislativa. Osni Cardoso, Neusa Cadore, Ângelo Almeida e Jusmari Oliveira, inclusive, são deputados estaduais licenciados e buscarão renovar o mandato.

Além do primeiro escalão, dirigentes de órgãos e integrantes do segundo escalão também devem deixar o governo. Alguns entrarão na disputa com chances reais; outros atuarão para reforçar chapas proporcionais.

Já está definida, por exemplo, a saída do presidente da Cerb, Jayme Vieira Lima (MDB), pré-candidato a deputado federal. O presidente da CBPM, Henrique Carballal, ainda aguarda conversa com o governador para decidir se concorrerá à Assembleia, pelo Avante ou pelo PT, partido ao qual está filiado atualmente.

Suplentes seriam prejudicados

Embora sem manifestações públicas, muitos dos atingidos pela reforma eram contrários à antecipação das mudanças, sobretudo porque os suplentes na Assembleia Legislativa e na Câmara dos Deputados também perderiam seus mandatos antes do prazo legal. Isso significaria abrir mão de cerca de quatro meses preciosos de mandato — período crucial para ganhar visibilidade, fortalecer bases e se viabilizar eleitoralmente. (Política livre)

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