O deputado estadual Hilton Coelho (PSOL) se posicionou de forma firme contra a possibilidade de uma nova federação partidária entre o PSOL e o PT no atual momento político. Com o fim do primeiro ciclo das federações, instituídas em 2021 e que agora precisam ser renovadas, reformuladas ou encerradas até 4 de abril, o parlamentar afirma que a independência do PSOL é inegociável.
“O PSOL nasceu da crítica à conciliação do PT com setores da classe dominante. Nossa história é de luta do povo, enfrentamento às elites e autonomia frente a governos, sejam quais forem. Entrar numa federação agora esvazia nossa independência e dilui a autoridade política construída em 20 anos de enfrentamento”, afirma Hilton Coelho.
O deputado critica a sinalização de lideranças como Guilherme Boulos em favor da federação: “Não se trata de personalizar o debate, mas de dizer com clareza que a federação amarra a atuação parlamentar por quatro anos, reduz a pluralidade de ideias e impõe unidade obrigatória inclusive na fiscalização de governos. Isso enfraquece a capacidade de enfrentamento real às políticas de conciliação com as elites”.
Para Hilton Coelho, derrotar a extrema direita neofascista e a direita tradicional é tarefa central do nosso tempo histórico, mas sem abrir mão de um projeto anticapitalista e de ruptura com a dependência ao capital estrangeiro. “Não há como enfrentar o neofascismo conciliando com quem sempre concentrou riqueza e violentou o povo brasileiro. A esquerda precisa apontar um caminho de transformação profunda da sociedade.”
O parlamentar reconhece que as federações viraram um instrumento de sobrevivência eleitoral para partidos menores diante da cláusula de barreira, mas alerta para o custo político: menos liberdade programática, menos autonomia de voto e menos capacidade de denúncia no Parlamento. “Não podemos trocar princípios por cálculo eleitoral. O PSOL das lutas é com autonomia e independência.”
Hilton Coelho lembra que o PSOL apoiou Lula no primeiro turno para derrotar a extrema direita, reconhecendo a liderança do PT na tarefa imediata de barrar o neofascismo. “Apoiar Lula para derrotar a barbárie não significa abdicar da construção de uma esquerda com identidade própria, presença social e densidade estratégica. O PSOL precisa fortalecer um polo socialista independente, com coragem de enfrentar governos quando estes cedem às elites.”
Para o deputado, a federação PSOL-REDE já reúne condições políticas e eleitorais para superar a cláusula de barreira e atuar como força organizada no Congresso, sem abrir mão da autonomia programática. “O PSOL não nasceu para ser linha auxiliar de governo nenhum. Nasceu para tensionar, denunciar, organizar e lutar. É assim que seguimos: com independência, radicalidade democrática e compromisso com a classe trabalhadora”, conclui Hilton Coelho.