O pré-candidato à Presidência da República Flávio Bolsonaro (PL) tem dito a aliados que anunciará em breve o nome do seu ministro da Economia. Trata-se de uma repetição da estratégia do pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), que anunciou Paulo Guedes como chefe da pasta ainda durante a pré-campanha.
Flávio disse a correligionários, ouvidos pela Folha sob reserva, que pretende apresentar um nome que agrade ao mercado financeiro. Ele citou o desejo de um quadro com capacidade para equilibrar as contas públicas.
Flávio tem evitado falar em nomes. Até o momento, ele só anunciou o irmão, o ex-deputado Eduardo Bolsonaro, como ministro de Relações Exteriores, numa atitude criticada por aliados do centrão, de perfil mais pragmático.
Jair Bolsonaro indicou ainda em novembro de 2017 que seu ministro da Economia seria Guedes, quase um ano antes da eleição. Foi uma maneira de mostrar ao mercado que adotaria uma política liberal se eleito.
Segundo aliados de Flávio, o senador tem moderado seu discurso para avançar sobre o eleitorado de centro. A atitude também envolve um aceno ao mercado financeiro, que deu sinais de resistência ao seu nome.
No dia 5 de dezembro, quando Flávio anunciou que seria candidato à Presidência com apoio de Bolsonaro, o dólar fechou em disparada de 2,33%, cotado a R$ 5,434, enquanto a Bolsa caiu 4,30%, a 157.369 pontos. Pessoas próximas colocaram essa reação mais na conta de uma frustração do mercado em torno da candidatura do governador Tarcísio de Freitas (Republicanos-SP) ao Planalto, o que não se concretizou.
Segundo aliados, Flávio se estabeleceu como nome da direita na eleição e sua candidatura já foi entendida pelos agentes políticos e econômicos como uma realidade. Agora, a ideia é mostrar que, além de criticar o governo Lula, o senador tem um plano econômico.
Após uma turnê internacional, que passou pelo Oriente Médio e pelos Estados Unidos, Flávio retornou ao Brasil nesta semana com o objetivo de estruturar sua campanha e seu partido. Ele reuniu as bancadas do PL na Câmara e no Senado nesta quarta-feira (25), quando deu recados sobre a estratégia da sigla para o pleito.
Na reunião com deputados, senadores e dirigentes do seu partido, Flávio fez acenos após brigas no clã, pediu por união da direita e chorou ao falar da prisão de Bolsonaro. O ex-presidente cumpre pena de 27 anos de prisão em Brasília, na Papudinha.
O senador anunciou que protocolou uma PEC (proposta de emenda à Constituição) para acabar com a reeleição no país, outro tema que deve ser explorado na sua campanha. O texto tem o apoio de 14 parlamentares até agora —são necessários 171 deputados ou 27 senadores para que a proposta seja protocolada.
A imprensa não teve autorização para acompanhar o encontro, mas congressistas relataram que a intenção de Flávio foi aparar arestas e engajar sua base para a campanha, ressaltando que está feliz com o resultado das pesquisas sobre a disputa contra Lula.