Fitinhas do Senhor do Bonfim preservam tradição de fé e identidade cultural na Bahia

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As fitinhas do Senhor do Bonfim estão entre os símbolos mais conhecidos de Salvador e da Bahia. Presentes em igrejas, feiras e no pulso de moradores e turistas, elas vão além de um souvenir e carregam uma história ligada à fé, ao sincretismo religioso e à cultura popular, atravessando gerações como parte da identidade baiana.

A origem das fitinhas remete a um período em que o utensílio tinha outra forma e função, ainda no século XIX. Segundo o historiador Murilo Mello, a confecção era artesanal e bem diferente da atual. “A fitinha do Bonfim não tinha essa confecção em moldes industriais que conhecemos hoje. Ela era feita de cetim ou linho, muito mais bem trabalhada, bordada e com tintas na cor de ouro, além de ser bem maior do que a que vemos atualmente”, explicou.

Naquele período, o item era chamado de “medida do Bonfim”, por seguir uma proporção ligada à imagem do santo. “Essa fita seguia a medida do braço da imagem, do peito até a ponta dos dedos”, afirmou o historiador, lembrando que o termo aparece em diversas manifestações culturais. Inclusive, há canções da música popular brasileira que fazem referência, a exemplo de “Trocando em Miúdos”, de Chico Buarque, lançada em 1977 no disco “Passaredo”.

A produção da “medida do Bonfim” tinha relação direta com a manutenção da Igreja. “Ela começou a ser confeccionada como uma fita maior e mais elaborada, com o objetivo de angariar fundos para ajudar a Irmandade do Senhor do Bonfim”, destacou Murilo. Apesar de custar mais caro na época, o objeto teve boa aceitação. “Foi um sucesso absoluto, mesmo sendo muito mais cara naquele período”, pontuou.

Com o tempo, a forma de uso também mudou. O item era pendurado em bolsas, usado no dia a dia, colocado no pescoço e amarrado com nós. Não se usava no punho. A versão menor e mais acessível surge apenas a partir da segunda metade do século XX, quando passa a ganhar ainda mais popularidade. A partir daí, esse costume se expande e o acessório passa a inspirar outras devoções.

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