A disputa entre o presidente reeleito Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) deve continuar no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) mesmo após o fim das eleições.
Segundo levantamento da CNN Brasil, os dois são investigados em pelo menos 22 Ações de Investigação Judicial Eleitoral (Aijes), que apuram suspeitas de abuso de poder político e econômico e uso indevido dos meios de comunicação. Do total, Flávio aparece como investigado em ao menos sete processos, enquanto Lula é alvo de 15.
Entre as ações contra Flávio estão questionamentos sobre o filme Dark Horse, que retrata a trajetória da família Bolsonaro, o canal de WhatsApp “Tropa do Flávio” e um suposto apoio de grupos dos Estados Unidos à candidatura. Já os processos contra Lula incluem investigações sobre o desfile da Acadêmicos de Niterói em homenagem ao presidente, o canal digital “Exército do Lula”, ligado ao deputado André Janones (Avante-MG), e o possível uso de canais do governo federal para divulgar mensagens relacionadas a programas sociais durante a campanha.
De acordo com o advogado eleitoral Jonatas Moreth, os processos seguem em tramitação mesmo após a votação e podem levar tempo até o julgamento, devido à necessidade de produção de provas, perícias e depoimentos. Em caso de condenação, Flávio pode sofrer multa e ficar inelegível por oito anos. Lula também está sujeito a essas sanções e pode ter o diploma cassado ou, caso já tenha tomado posse, o mandato. Segundo o advogado, a Justiça Eleitoral não precisa comprovar que a irregularidade alterou o resultado da eleição, mas que houve gravidade suficiente na conduta investigada.