Os 0,1% mais ricos do Brasil elevaram sua participação na renda nacional para um recorde de 13,1% em 2024, ante 10,2% em 2020, segundo estimativas baseadas em declarações do Imposto de Renda.
O avanço ocorreu apesar da queda do índice de Gini e da melhora no mercado de trabalho, impulsionado principalmente pelo aumento da renda financeira proporcionado pelos juros elevados.
A alta da Selic, que saiu de 2% para níveis acima de 12% no período analisado, beneficiou especialmente famílias de maior renda, que concentram a posse de ativos financeiros. Dados da Receita Federal mostram que a arrecadação sobre rendimentos de fundos de investimento e outras aplicações de renda fixa cresceu 325% entre 2020 e 2024, chegando a R$ 92,1 bilhões. Economistas destacam que pesquisas usadas para calcular o Gini captam melhor a renda do trabalho e podem subestimar ganhos financeiros dos mais ricos.
O fenômeno não começou no governo Lula, mas ganhou força com o aumento da dívida pública e da participação de títulos atrelados à Selic. Embora o Banco Central tenha iniciado cortes de juros em março, a taxa básica permanece em nível restritivo e a arrecadação sobre investimentos de renda fixa continuou crescendo em 2025. Segundo projeções do mercado, a Selic deve permanecer elevada por mais tempo, o que pode prolongar o impulso dos rendimentos financeiros sobre a concentração de renda.