As taxas do Tesouro Direto abrem em alta nesta quarta-feira (17), com os títulos atrelados à inflação liderando o movimento após a divulgação do IBC-Br de abril, e horas antes de o Banco Central divulgar mais uma decisão de política monetária.
O índice, considerado uma prévia do PIB, avançou 0,5% em abril na comparação mensal com ajuste sazonal, levemente abaixo da expectativa de 0,6% em pesquisa da Reuters, mas positivo pelo terceiro mês em quatro, mantendo a leitura de economia resiliente que limita o espaço do BC para retomar os cortes de juros.
Nos títulos de inflação, o avanço foi disseminado e concentrado no trecho intermediário da curva. O IPCA+ 2032 subiu oito pontos-base para 8,20% e o IPCA+ 2037 com juros semestrais foi de 7,67% para 7,75%. No papel para 2040, salto de 7,35% para 7,43% de juro real. No trecho mais longo, o IPCA+ 2050 operou com variação mais contida, de 7,11% para 7,13%.
Nos prefixados, também houve abertura, mas menor. O Tesouro Prefixado 2029 foi de 14,38% na terça para 14,44% nesta quarta. O Prefixado 2032 avançou de 14,34% para 14,39%, e o Prefixado com Juros Semestrais 2037 de 14,27% para 14,30%.
Rafael Perez, economista da Suno Research, avalia que o resultado de abril reforça a resiliência da economia, sustentada pelo avanço da renda das famílias e pelo mercado de trabalho aquecido. O crescimento mensal foi puxado por serviços e indústria, enquanto a agropecuária ficou estável. “Os efeitos defasados da política monetária restritiva devem voltar a ser sentidos com mais intensidade ao longo do segundo semestre, contribuindo para uma desaceleração mais acentuada da atividade”, afirma. Perez projeta crescimento de 0,6% do PIB no segundo trimestre e de cerca de 2,0% no ano, com o BC mantendo postura cautelosa diante da resiliência dos dados.
Leonardo Costa, economista do ASA, compartilha a leitura de desaceleração gradual. Para ele, o IBC-Br de abril é compatível com um cenário de perda de tração na margem, sem sinais de contração abrupta. “A perda de fôlego disseminada ao longo dos últimos meses sustenta nossa visão de um PIB mais fraco no segundo trimestre”, avalia, destacando que o acumulado em 12 meses desacelerou para 1,6%, sugerindo perda gradual de momentum na comparação mais longa.
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