Furdunço reúne foliões saudosistas pelos antigos carnavais

Foto: Romildo de Jesus

 

 

Bandas de sopro, manifestações culturais, microtrios e pranchões levaram alegria e muita animação para o Furdunço realizado na tarde desta sexta-feira (21) no Circuito Osmar, no Campo Grande.

Dentre as atrações estiveram Os Eficientes, grupo formado, em sua maioria, por portadores de deficiência e que se uniram através do amor pela música. Em um verdadeiro momento de resgate do Carnaval das antigas, era possível ver pelas ruas do circuito muitas famílias reunidas, casais, crianças com seus pais e até idosos.

Todos saíram de suas casas para celebrar O Carnaval dos Carnavais, como o ator Fabrício Cummings, 43 anos. O folião contou que desde os nove anos acompanhava o bloco Pierrot de Plataforma, bairro em que reside até hoje. Quando criança, as cores, confetes e serpentinas, unidos a toda aquela gente, música e alegria, criavam um mundo mágico na sua cabeça. A paixão pelo festejo se perdura até os dias de hoje.

“O Carnaval é uma festa maravilhosa e também é marcada pela diversidade. Manter ou pelo menos tentar deixar acesa a chama deste Carnaval tradicional é muito importante porque, além de valorizar nossa festa, faz com que os foliões mais novos tenham consciência de como tudo começou”, disse Fabrício, defendendo o Furdunço como ponto alto da folia.

Os novos foliões também foram presenças constantes durante o Furdunço. Acompanhada do seu pai, Rafael Carvalho, 36, a pequena Helena Carvalho, de apenas cinco aninhos, dançava e se divertia ao som de um minitrio.

“O resgate dos antigos carnavais é uma possibilidade que encontro de trazer a minha filha, tanto para curtir com mais tranquilidade como para que ela possa saber como era os carnavais de quando eu era do tamanho dela. Realmente é um momento único. Passam diversas lembranças na memória, principalmente vendo minha filha aqui. É muito maravilhoso”, declarou.

Marcando presença a caráter, fantasiado de Pierrot, o psicólogo George de Araújo, 40, destacou a importância da preservação do carnaval mais tradicional. “Entendo perfeitamente que tudo se transforma, assim como o Carnaval. Mas é de grande preciosidade fomentar os carnavais do miniblocos, fanfarras e marchinhas, para que o início de tudo não seja esquecido e seja cada vez mais valorizado. Dessa maneira, criamos foliões mais pertencentes a nossa cultura”.

Engana-se quem pensa que o Furdunço não é um programa para ser feito a dois. O casal França Neves, 56, e Ricardo Neves, 68, que o diga. Eles, que curtem o Carnaval juntos há mais de 20 anos, se deslocaram até o circuito somente para acompanhar os festejos. A ansiedade foi tanta que acabaram até trocando o dia – acharam que era ontem (20).

 

“Nós só viemos mesmo por causa do Furdunço. É onde a gente pode fugir de muita agonia e se divertir do mesmo jeito. Todas as pessoas precisam viver e sentir o gosto desse Carnaval”, contou França. “Esse é o tipo de Carnaval que a gente ama. Lembra várias histórias e momentos e nos deixa muito felizes. Não podemos deixar nunca que esse tipo de festejo seja deixado de lado. Isso é nosso. É a nossa história”, completou Ricardo.

Também fizeram parte da programação do Furdunço a Banda Rasta Groove, Orquestra de Pandeiros de Lauro de Freitas, Val Macambira, Garampiola, Gira Ingonça, Espaço Musical e Dionorina. Fizeram ainda a alegria dos foliões Mamah Soares, Coletivo Di Tambor, Tribass, OQuadro, Os Turunas e Márcia Freire.

 

 

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